Jornada ‘REVITALIZAÇÃO DOS TERRITÓRIOS RURAIS’

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No passado dia 29 de junho, o MORE – Montanhas de Investigação organizou uma jornada dedicada à temática da ‘Revitalização dos Territórios Rurais’, decorrida na Casa da Cultura Municipal de Mêda. Estiveram presentes 21 entidades públicas e privadas, de âmbito local a nacional. Perante a estratégia do governo em financiar vários programas que pretendem revitalizar as zonas rurais, nomeadamente através do PRR, é essencial um diálogo com os vários atores que trabalham o tema da interioridade, da ruralidade, da sustentabilidade dos territórios, através da agricultura, do turismo, da exploração dos recursos naturais e energéticos, entre outros. Assim, o MORE CoLAB decidiu explorar alguns temas e abordou os seguintes temas para discussão numa estrutura de quatro mesas redondas: 1) Agricultura familiar, jovens e mulheres agricultoras; 2) Serviços do ecossistema relacionados com a cultura e turismo; 3) O potencial da Agroindústria; e 4) Recursos hídricos.

Na mesa 1, foram discutidas as razões para a taxa de insucesso das explorações agrícolas nas faixas etárias até aos 40 anos [falta de planeamento, subsídios não diferenciados, fileiras pouco consolidadas, falta de mão de obra, fundos que valorizam os terrenos e não a produção, etc.], explorados os fatores determinantes de sucesso [apoio técnico, plano de negócios, resiliência, etc.] e verificadas oportunidades e medidas técnico-científicas e administrativas que favoreçam a atratividade da agricultura a novos agentes [facilitar processos burocráticos, salários competitivos, etc.], entre outros tópicos.

Na mesa 2, foram discutidos os serviços relacionados com a cultura, o património e o turismo com o objetivo de perceber se o aumento de serviços dos ecossistemas culturais em meio rural, incrementará a revitalização social e económica dos territórios rurais, promovendo a valorização e fruição do património natural, cultural e paisagístico. Foram discutidas soluções para as necessidades e recursos específicos destes territórios, que devem ser concebidas em sinergia com as autoridades e comunidades regionais e locais, criando redes colaborativas em que as comunidades são protagonistas de um modelo de turismo comunitário, não obstante a necessidade de profissionais de turismo no território. Foi ainda discutida a necessidade do aumento o número de iniciativas de turismo criativo e o turismo literário, assim como da importância da digitalização nestes ecossistemas e a promoção de toda a oferta já existente.

O potencial da agroindústria foi discutido na terceira mesa-redonda, onde se discutiu abundantemente sobre investimento: como atrair investidores e para que tipo de investimentos. Abordou-se o problema do envelhecimento da população e a falta de mão de obra [apostar na formação e na imigração]; os produtos endógenos [identificar oportunidades de mercado, rastrear, etc.] e na sua promoção [‘cartão de visita’ dos territórios rurais]; na logística [transportes], as PMEs que necessitam de apoio para o desenvolvimento de novos produtos e processos de inovação e transformação [viabilidade económica], e a discriminação positiva [redução dos preços de energia e consumíveis entre outros custos assim como do peso burocrático] sem esquecer o contexto da União Europeia.

A mesa-redonda dedicada aos recursos hídricos questionou o papel daqueles recursos na revitalização sustentável dos territórios rurais. Assumindo que a escassez de água se refere às metas de uso, a eficiência da utilização deste recurso natural é fundamental para sustentar qualquer território. Os territórios rurais estão tipicamente associados ao setor primário e a agricultura consome a maior fatia de água a nível global. Posto isto, foi discutida a importância da adaptação em prol da mitigação, com a necessidade de produzir indicadores de adaptabilidade de culturas na região. Sabemos que quando há perímetros de rega, a agricultura tem maior rendimento, no entanto, ainda não se sabe bem até que ponto a qualidade dos produtos produzidos é melhor ou mantida. Conversou-se ainda sobre a reutilização de água e as fábricas de água e sobre o Turismo e a necessidade de sensibilizar os turistas para o desperdício de água associado à sua estadia.

Entidades presentes:

. Agência Portuguesa do Ambiente – Administração da Região Hidrográfica do Norte

. Agrotamanhos, Unipessoal Lda.

. Associação das Mulheres Agricultoras e Rurais Portuguesas

. Câmara Municipal de Figueira Castelo Rodrigo

. Câmara Municipal da Mêda

. Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa

. Centro de Competências de Agricultura Familiar e Agroecologia

. Centro de Competências para o Regadio Nacional

. Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela

. Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro

. Escola Profissional de Trancoso

. Fundação Côa Parque

. Grupo de Ação Local Castelos do Côa (também em representação da Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local – Minha Terra)

. KiPT – Conhecimento para inovar profissões em Turismo, Laboratório Colaborativo

. Instituto da Conservação da Natureza e Florestas – Centro

. Instituto Politécnico de Bragança

. Instituto Politécnico da Guarda

. Instituto Politécnico de Viseu

. Jornal O INTERIOR & Rádio Altitude

. Prisca – Alimentação, SA

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